A maioria das pessoas não tem sintomas. Por isso é chamada de “doença silenciosa”. Apesar da ausência de sintomas, a pressão arterial elevada pode causar vários danos ao seu corpo.
A hipertensão arterial ou a chamada “pressão alta” é a elevação da pressão arterial para números acima dos valores considerados normais (140/90 mHg). A elevação para níveis anormais pode causar lesões em diferentes órgãos do corpo humano, tais como cérebro, coração, rins e olhos.
Sabe-se que a hipertensão arterial é a doença cardiovascular mais frequente na população. Estudos apontam que a pressão alta atinja 30% da população brasileira e, como aumenta progressivamente com a idade, pode chegar a comprometer a saúde de 50% das pessoas com mais de 60 anos.
Além disso, a pressão alta é a origem de 40% dos infartos, 80% dos acidentes vascular cerebral (AVC ou derrame) e 25% dos casos de insuficiência renal terminal, segundo o Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP). Para Luiz Bortolotto, cardiologista e diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do Incor, a prevenção é a maneira mais segura de combater esse mal.
Em pessoas com predisposição genética e estilo de vida inadequado (sedentarismo, obesidade, dieta hipersódica, hipercalórica e hipergordurosa) a doença acomete mais cedo e com características de maior resistência ao tratamento. Segundo a nutricionista Camila Gracia do HCor (Hospital do Coração), o consumo indicado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) é de5 gramasde sal, ou2 gramasde sódio por dia para adultos.
“O principal problema é que a população não sabe associar sódio a sal e ler as informações nutricionais dos alimentos. Muitos acreditam que o sal é o responsável pela pressão alta e não entendem a relação do sódio indicado nos alimentos com a hipertensão”, alerta Gracia, que acrescenta que a média de consumo nacional é de 12g de sal por dia.
Driblando a pressão alta
Você pode colaborar para o sucesso do tratamento modificando alguns de seus hábitos.
A principal medida para diminuir a pressão arterial é reduzir o consumo de sódio da alimentação. Muitas vezes a pressão alta é atrelada ao sal, mas na verdade é o sódio que é o responsável. Em 5g de sal, são 2g de sódio.
Embutidos e enlatados apresentam muito sódio para conservação, por isso, fuja de fast food. A salsicha do cachorro quente, por exemplo, tem 680 mg de sódio em 2 unidades (ou 64g), isso corresponde à 28% do que um adulto deve consumir em um dia inteiro. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o consumo diário de sódio não deve passar de 2g.
Não se iluda pensando que só alimentos salgados são ricosem sódio. Asbolachas escondem grande quantidade de sódio para conservação. Em 4 unidades de bolacha wafer você pode ter 30% das suas necessidades diárias.
Outro grande vilão é o adoçante usado tanto em refrigerantes diet, quanto em sucos sem açúcar. Ele possui compostos de sódio. Um saquinho de suco diet tem 10% de suas necessidades diárias de sódio.
Os congelados também possuem muito sódio, usado para conservação. É importante olhar bem as informações nutricionais antes da compra. Uma lasanha à bolonhesa pode ter 40% das necessidades diárias de sódio, ou 955mg, em um pedaço de 162g.
Aquele famoso macarrão fácil de preparar – o miojo – é outro alimento com muito sódio, não o macarrão em si, mas o tempero é praticamente só sódio. O pacote completo tem, em média, 2.130 mg de sódio, ou 89% das necessidades diárias de um adulto.
Azeitonas (verdes e pretas) estão no topo da lista dos alimentos com mais sódio. Em cerca de30 g, são 925 mg ou 46% das necessidades diárias.
Comida japonesa é saudável, desde que você não abuse do Shoyu. Em sua versão tradicional, em 15g, são 855 mg de sódio, ou 36% das necessidades diárias. Já a versão light tem 24%.
Nem um sanduíche de presunto e queijo está livre do excesso de sódio. Segundo a nutricionista Camila Gracia do HCor – Hospital do Coração, o lanche tem praticamente toda sua necessidade diária de sódio. Por isto, a dica mesmo, é ficar de olho na informação nutricional dos alimentos.
A diminuição do consumo de bebidas alcoólicas e da cafeína também contribui para o controle da pressão arterial. E lembre, beba muita água, sempre.
Outros fatores também ajudam a controlar a pressão arterial
- Controle periodicamente sua pressão arterial. Você pode medir periodicamente sua pressão no posto de saúde mais próximo de sua residência.
- Deixe de fumar
- Diminua o consumo de bebidas alcoólicas;
- Mantenha seu peso ideal;
- Evite alimentos ricosem gorduras. Elescontêm grandes quantidades de colesterol (aquele considerado ruim – o chamado LDL – prejudicial ao organismo porque aumenta o depósito de gordura nas artérias);
- Faça exercícios físicos sob orientação de especialistas (médico, nutricionista, nutrólogo, ou profissionais de educação física). O ideal é consultar um médico e somente depois, se for o caso, buscar orientação de um educador físico;
- Lembre: diminua o sal na sua alimentação. Fique de olho no rótulo das embalagens dos alimentos industrializados. Em geral, eles contêm uma quantidade considerável de sódio;
- Evita a tensão. Enfrente melhor sua vida, de maneira leve e com alegria.
Pratique exercícios físicos
O controle de peso é apontado como primeiro passo na prevenção e tratamento da hipertensão arterial. Muitos estudos demonstram a relação entre massa corpórea e pressão arterial mostrando que, a frequência da hipertensão entre obesos é duas vezes maior do que entre os não obesos, e que, o ganho de peso é frequentemente associado com aumento da pressão arterial.
Assim, procure fazer pelo menos três caminhadas de 30 minutos por semana. Além de ajudar a queimar calorias, a prática de exercícios regularmente acelera o metabolismo dificultando o aumento de peso. Mas antes de estabelecer esta nova rotina, procure seu médico, para certificar-se que tudo está bem e que você não tem nenhuma restrição.
Lembre-se que fumar é prejudicial à saúde
O cigarro é o mais importante fator de risco, prevenível para doença cardiovascular, sendo responsável por 1 em cada 6 óbitos, pois a nicotina aumenta a pressão arterial e acelera a progressão da aterosclerose (depósito de gorduras nas paredes da artéria). Portanto, abandonar o tabagismo (ato de fumar) deve ser a primeira providência do hipertenso.
A prevenção é o melhor caminho
Vale lembrar ainda que a mudança do estilo de vida, passando pela alimentação saudável e atividade física regular é a melhor solução.
Fonte: Caderno Ciência e Saúde (Folha de São Paulo) e Ministério da Saúde – Adaptado pela Assessoria de Comunicação